quarta-feira, 4 de novembro de 2009

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Obra de Giselle Beiguelman

Mundo Das Marcas: FACEBOOK

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DEZ CARACTERÍSTICAS DA PRODUÇÃO TEXTUAL

Escrever é uma atividade de interação.  A comunicação realizada por meio de textos é sempre bilateral. Sempre estamos nos comunicando com alguém. O texto só pode ser considerado como tal se cumprir com o papel de interação com o outro, seja ele um amigo, um familiar, o público leitor de um jornal ou revista ou um grupo de consumidores de um determinado produto ou serviço. Segundo Antunes (2005:28), ”Não tem sentido o vazio de uma escrita sem destinatário, sem alguém do outro lado da linha, sem uma intenção particular”.

Escrever é uma atividade cooperativa.
Segundo Antunes (2005:29), a cooperação só se concretiza quando “um ou mais sujeitos agem conjuntamente na interpretação de um sentido (o que está sendo dito), e de uma intenção (por que está sendo dito)”. Por esse motivo é importante que o redator conheça o perfil do leitor a fim de selecionar informações relevantes; ajustar o grau de formalidade da linguagem e o nível do vocabulário a ser utilizado; e outras particularidades. Tudo para que o leitor compreenda o que está sendo comunicado e perceba as intenções e os objetivos que moveram a iniciativa do redator ao escrever o texto.

Escrever é uma atividade contextualizada.
Basicamente, assim como falar, escrever também é uma atividade que se desenvolve de acordo com os espaços e ambientes sociais. Daí Antunes (2005:29) advertir que “não se escreve da mesma maneira, com os mesmos padrões, em contextos diferentes”. A defesa de um texto publicitário, por exemplo, será diferente quando: feita pelo próprio autor (o redator publicitário) interessado em defender sua idéia; feita pelo atendimento da agência de propaganda interessada em aprovar o texto junto ao cliente; ou feita pelo cliente interessado em modificar o texto para melhor descrever seu produto ou serviço para o consumidor.

Escrever é uma atividade necessariamente textual.
Como já foi citado, de acordo com Antunes (2005:30) “só nos comunicamos por meio de textos orais ou escritos. Assim, a competência comunicativa inclui necessariamente a competência de formular e entender textos, orais e escritos”.

Escrever é uma atividade tematicamente orientada.
Em Antunes (2005:32) encontramos as noções dessa característica. O texto sempre é produzido em torno de uma idéia central, um tema, um tópico que vai sendo desenvolvido ao longo da produção. Todo texto tem um propósito que serve como guia para chegar à reta final. Não importa o tipo ou o gênero de texto. Sempre há um propósito permeado de crenças e valores, que deve ser circunstanciado de acordo com a motivação do escritor, sempre respeitando o perfil do leitor. O que importa é o escritor não perder de vista seu propósito, uma vez que isso teria como conseqüência romper com a unidade do tema.

Escrever é uma atividade intencionalmente definida.
Segundo Antunes (2005:32,) ”as intenções servem de parâmetro para muitas das decisões que precisam ser tomadas no percurso da interação”. Recomendado é que o redator tenha consciência dos valores e crenças que permeiam suas opiniões a respeito do tema com que irá trabalhar e os valores e crenças, que supostamente podem influenciar as opiniões do leitor. Ou, ainda, quais são as motivações que levariam o leitor a aceitar ou rejeitar valores e crenças revelados no texto.

Escrever é uma atividade de envolve especificidades lingüísticas e pragmáticas.
“Fomos orientados durante muito tempo de nossa vida escolar para distinguir o certo e o errado, sem nenhuma referência a uma situação qualquer. Precisamos aprender a pensar em: certo, errado? Onde, quando, com quem, para quê?” (Antunes, 2005:33). A sétima característica irá fundamentar o procedimento de coleta de informações que precede o texto publicitário (briefing), como veremos a seguir.

Escrever é uma atividade que se manifesta em gêneros particulares de texto.
“Há esquemas típicos para cada gênero; uns mais flexíveis, outros mais rígidos. Como em outros domínios sociais, sujeitamo-nos aos esquemas convencionais, definidos institucionalmente e legitimados pela sua própria recorrência” (Antunes, 2005:34). Do ponto de vista dos domínios, considerando que iremos nos deter ao discurso publicitário, ao contrário de outros, este apresenta características mais flexíveis no que diz respeito à quebra de modelos, justamente por tratar-se de um domínio que busca na criatividade suas diferenciações.

Escrever é uma atividade que retoma outros textos.
”Nunca somos inteiramente originais. Nosso discurso vai-se compondo pela ativação de conhecimentos já adquiridos [...] todo texto comporta procedimentos de recapitulação [...] de outros textos que ouvimos e lemos” (Antunes 2005:35). O redator publicitário, em geral, utiliza referências do âmbito da produção literária, musical, artes plásticas, artes cênicas e tantas outras manifestações artísticas e culturais.

Escrever é uma atividade em relação de interdependência com a leitura.
“Ler é a contraparte do ato de escrever e, como tal, se complementam. O que lemos foi escrito por alguém, e escrevemos para que outro leia. Não existe solidão em nenhum dos dois momentos. Há sempre alguém do outro lado” Antunes (2005:35). No meio publicitário, um dos principais pré-requisitos para a produção do texto é o conhecimento do perfil do público. Agências publicitárias de grande porte, nacionais e multinacionais, investem grande soma de recursos financeiros em pesquisas a fim de conhecer em detalhes o perfil dos consumidores de seus clientes anunciantes.

ANTUNES, Irandé (2005) - Lutar com palavras: coesão e coerência. 3. ed. – São Paulo – Parábola Editorial.